Quinta-feira, Julho 26, 2007

Os Truques de Lua

Lembrei demais porque sou mulher moderna, sofisticada, que acha que quem nasceu pra forno e fogão é homem. Acho que a submissão feminina combina com cozinha. O homem decide o que fazer, o homem escolhe os ingredientes, o homem cozinha. A mulher serve vinho pro maridinho, ajuda a picar as coisas, dá uns apertos e uns beijinhos nele pra ele se sentir "o bom" (e continuar pilotando o fogão).

Acho lindo. Por que? Tem vários motivos...

Primeiro. Nunca fui em escola com laboratório de química, sabe? Na Psi não rolava dessas também. Tudo super teórico. Aí assim, essas coisas alquímicas, só tenho no arquétipo do signo de escorpião. Só. Tenho DDA, cara, como que alguém com DDA frita a carne e cuida do arroz e fica ali, num ambiente só? Que jeito? E aquela coisa na internet, e aquele projeto que de repente você tem uma idéia super legal? E aquela amiga que te liga? E aquele negócio que você esqueceu de falar pra sua avó? Vai deixar pra depois? Depois esquece. Rola não.

Só consigo fazer sobremesa, sou boa na sobremesa. O processo alquímico é simples. E sobremesa simples é avec, chique, sofisticado. Assim, que nem eu, sabe?

Segundo motivo: Herança familiar. Papai cozinha, mamãe ajuda, e nós ajudamos quando somos laçados e arrastados. Papai lidera. Leonino. Dá ordens, mas de mansinho, porque ele é leão manso. Faz comida de-li-ci-o-sa e pronto. A gente come. Trabalho mecânico, conversa agradável, "serve vinhozinho pro papai?", "pega a câmera ali e tira uma foto dessa flambada". Olha só, que coisa mais agradável. tem que ficar de longe pra tirar a foto da flambada.

Terceira razão: Tem uns momentos na vida que o amor toma conta do meu coração. Faço uns exercícios de chackra, minha tpm fica sensitive mode on. Aí quero amar as pessoas. Quero dar carinho e não me preocupo em receber nada em troca. Quero compartilhar, to share. Dar.. Assim, no sentido... Cristão da palavra.

Tipo antes de ontem. Tive a idéia de que queria fazer um jantar para uns amigos. Aí você chama os amigos, abre um vinhozinho (sacaram que esse padrão é super repetitivo né?), bate um papo na cozinha... Faz aqueles pratos que parecem ser simples, mas têm assim, uns toques, sabe? Já viram que cozinheiro sempre tem "uns toques"? É um aipo, uma pimenta, um bregueço enrolado no canto do prato, "um toque adocicado que é o diferencial do prato". Ouço isso demais. Sou fã da Nigela do GNT, ela tem toques e freezers cheio de coisas super meio prontas. Acho que meu sonho é ser a Nigela.

Então né, falei com a Ci, que, se tudo der certo, vai dividir um apartment comigo na capital federal onde moraremos com um cachorro e dois gatos, no mínimo. Uma família feliz. "Ci, quero fazer um jantar aí". Ci responde: "ADORO, faz no meu aniversário". Pronto. Homem da casa vai ser ela, já viram, ela decide as coisas. Só que aí, cardápio deixa que eu monto, afinal, eu que quero cozinhar, tipo um presente não só pra ela, mas pra Dida, pro Alce, pro Xela, pra Arma, pra Falls, pruns amigos da Ci...Enfim. Amor. Comida é amor. Todo mundo sabe disso. Como eu vou cozinhar, eu vou escolher.

Começa o sofrimento aí. Não sou super cozinheira, tem que ter vaquinha pra pizza e senso de humor de back up (porque não choro mais quando a comida não dá certo, peço pizza). Anyway, não posso de jeito nenhum escolher qualquer coisa. Mas, mesmo que eu pudesse... Gente, como a indecisão reina no meu ser! Já decidi com firmeza que vai ser carne com pimenta, risoto de abrobrinha, um risoto demais do Jamie Oliver, um spaghetti com rúcula e tomate seco (clichezaço).

Decidi, no final, parar de decidir.

Por isso estou esperando meu pai. Cozinheiro. Vai decidir: Faz isso! E eu vou obedecer, como a boa mulher submissa - na cozinha, com prazer - que eu sou.

In Penny Lane...

Vocês lembram de Penny Lane? Pois é, eu lembro. Já escrevi um novo fascículo, mas estou segurando. Já estou quase no final de um outro, mas também não sei quando vou publicar. Quando terminar esse fascículo que estou escrevendo pretendo fazer uma super revisão, de novo, na história inteira. Erros de Português, alguma informação que eu tenha inventado e que possa vir a contradizer os capítulos futuros. Plot holes. Aí vou consertar tudo na versão daqui do Blogger, então, e só então, lançarei o próximo fascículo. Acredito que o décimo terceiro? Sim, o Décimo Terceiro. Chama Constelação Familiar. Pronto, uma pista. Já perdi a maioria dos meus leitores com essa enrolação toda, mas, como está especificado na página, não se segue só a história lá. Se segue todo o processo de criação.

E a D.P sabe que tenho karmas magníficos com meus livros. Na minha cabeça eu já tenho três HQs, uma delas, Pacífica, era originalmente um livro e pode voltar a ser. Uma saga de treze volumes, que convive comigo desde meus doze anos e, segundo um místico, algumas vidas também e Penny Lane. Minha filha caçula, a primeira que deu às caras no mundo, mas só um pedacinho pequeno.

Eu fiz uma promessa a mim mesma em relação a little Lane, mas eu não vou contar a ninguém....

Uma discussão muito boa e rápida aconteceu no thread do Global Voices Online Português, depois que eu comentei que estava ausente por Potter motives. Comentávamos, eu, Dani e Paula sobre o vazamento do novo livro do Harry Potter e como o mundo da informação evoluiu tanto e as editoras de livro parecem que acabaram de descobrir a imprensa. Não levam em conta a internet, não levam em contas os buracos que existem e tratam uma história como se fosse algo físico e pesado, difícil de se extraviar como uma imensa barra de ouro.

As pessoas, hoje, ainda não sabem dizer como funciona o mundo da internet. Não digo que isso seja culpa só das editoras. Eu não sei tão bem. As gravadoras de cd também não sabem muito o que fazer, mas garanto que estão à frente das editoras. Tratam a internet como um veículo ótimo de propagação da informação, de propaganda, de formas das pesoas conhecerem seus produtos e comprarem-nos. Porque, a compra, a posse, a necessidade da propriedade privada, é uma coisa cultural muito arraigada nas nossas vidas, e muitas pessoas ainda compram cds. O problema é depender de rádios para conhecê-los. Rádios e seus jabás. Sem contar que o que se faz nessa vida sem dinheiro? O que se faz nesse mundo capitalista sem capital? Quem ama a Lily Allem baixa seus discos na internet, vê seus clipes no youtube, vai nos seus shows, compra seus cds ao vivo, suas versões diferenciadas, seus cds cheios de fotos. Compra suas roupas. Lily Allen tem uma coleção de roupas, sabiam?

E Lily Allem começou aqui, na internet. Pelos meios mais fáceis de se comunicar com o mundo. O meio que não requer agente, dinheiro, jabá, influenciar doze pessoas, conquistar duzentas, enfrentar aquela tpm da secretária do dono da gravadora, depender do mal gosto e da falta de criatividade dos cargos administrativos que não entendem muito de música.

O que vende? Eles perguntam. A Internet não pergunta nada. Absolutamente nada. Você grava, você coloca na internet. Você paga muito menos por isso e corre muito menos risco de não chegar até os ouvidos daqueles que irão gostar do que você tem para falar.

Agora sobre o fenômeno Potter... Primeiro eu gostaria de pedir desculpas a amadíssima J.K Rowling que tanto pediu para não estragarem a história dela. Eu li antes de lançar. E deve ser por isso que eu ainda tenho nervos, porque houve um probleminha e meu livro chega aqui na sexta, quase uma semana depois de seu lançamento. Eu amo demais aqueles livros e estava ansiossíma para ler. Sabia que muitos mistérios estavam todos contidos naquele último livro. E meu coração temia demais pela vida dos meus amados personagens. Eu sou assim, totalmente sentimental e envolvida com os livros que leio. Mas, se a Jk está preocupada com não vender seus livros, acho meio estranho ela sequer pensar nisso já que Deathly Hallow já pegou o primeiro lugar dos livros mais vendidos por antecipação.

Poucas pessoas que, como eu, leram antes do lançamento, não compraram o livro antes de lançar. Eu já tinha dado o dinheiro. Estava só esperando, como ainda estou. Como vejo os filmes mesmo eles sendo ruins só porque quero ver os thestrals, quero ver Hogwarts. Quero ver quadribol. Vou comprar os outros livros em inglês, vou no parque temático quando for rica.

Mas, se o suspense era o mais gostoso (e mais dolorido também, para alguém tão curiosa quanto eu), que fizessem direito, não é mesmo? Não levaram em conta a internet, aquele tipo de ameaça pequena e furtiva típica da rede. Um funcionário rouba alguns livros e vende. Pode ser um cara que carrega caixas, ou que monta os livros. Ou talvez a imprensa não poderia ser um pouco mais rápida? E o lançamento poderia ser tão world wild que poderia ser world wild web.

Mas, esses são erros de um problema de adaptação ao mundo ao seu redor que seres humanos têm quanto mais grandes empresas. O pior tópico que foi levantado na nossa pequena discussão foi a Rocco, a versão brasileira e a tradução. Dessa vez não vou xingar a Wyler.

Novembro. Gente, Novembro! O livro vai ser lançado aqui em Novembro! Vamos contar: Julho, Agosto, Setembro, Outubro, Novembro. Cinco meses! Vamos tirar Julho e Novembro, sim? Porque eu acho que é no comecinho de Novembro, meu presente de aniversário (as if I care) e foi lançado mais pro final de Julho, né? Vamos ser legais. Três meses! No mundo da informação que hoje é rápido e informal, a Rocco vai demorar 3 meses para traduzir e lançar o livro.

Sites com forças-tarefas voluntárias, já estão acabando, se já não acabaram de traduzir o livro inteiro. Ela leu traduzido quando vazou! Pra quê esperar três meses quando no mundo real tudo é mais rápido?

Sei que é lindo ter um livro nas suas mãos, cheirá-lo e guardá-lo. Muitas pessoas amam. Mas, no mundo da informação, não é bem o concreto que mais conta. E 3 meses é tempo demais. 3 meses para fazer uma edição mais bem trabalhada, eu entendo. Mas, se bem me lembro do sexto livro, tinham versões com uma diagramação muito pobre que foram vendidas mais barato.

Mas, demoraram o mesmo tanto.

Sou psicóloga e entendo a dificuldade do homem de sair de seu local seguro e evoluir. Mas, também aprendi que isso é necessário para a saúde mental das pessoas. E no caso das empresas, a saúde financeira também.

Quinta-feira, Julho 19, 2007

DIários de Uma Vida Congelada 2

Outro exercício de paciência: Harry Potter and the Deathly Hollows. Último livro do "bruxinho", que já não anda tão "inho" assim. Começou fácil. O livro chega dia 21 às livrarias of the whole wilde world. Marmmys aceitou comprar o livro na Cultura dividido em 3 vezes, eu prometendo pagar algumas prestações. Porque sou cliente mais cultura e enchi a cara de livros lá no começo do ano, tinha vinte conto (4 cinco contos) de desconto (quanto conto). Tive permissão de pedir entrega expressa. Só no caso de algum avião explodir com meu livro, ou os controladores de vôo atrasarem o avião do meu livro, ou a Gol, ou a TAM, ou seja lá que companhia aérea sobrou nesse país exploda ou se atrase por aí com o meu livro, ele não chega aqui dia 23 no máximo!

Estava tudo feliz, até uma galera roubar os livros que já estavam impressos, vender no DeepDiscount.com, e, um "bom" (ou não) samaritano tirar as fotos dos livros enquanto enchia a cara de cerveja. (Não acredita? Take a look).

Na verdade, péssimo samaritano, não teve cuidado de pegar uma boa máquina, não tirou o flash, não endireitou as páginas para que a gente pudesse ler aquela parte próxima da dobradura do livro, não tirou o dedão feio com as unhas roídas da frente. Não tirou o flash!! Não escaneou e passou para nós, leitores obsecados, podermos ler em letras grandes, com o fundo do word preto.

Não, fotos da porcaria do livro. Você tem que pôr zoom e a máquina não é assim, 10.8 pixels, sabe? Então as letras vão ficando embaçadas. E o fundo da página do livro, obviamente, é branca, e a anta pôs flash! Flash! Algumas páginas são ilegíveis!

Li cinco capítulos, porque como Hercules, I go through the distances, pelas coisas e serezinhos humanos que eu amo. Só acho que ando precisando reconhecer meus limites. Chega dia 23, no máximo! Hoje é dia 19! Meu nervo óptico começou a pular depois de um tempo. Fiquei zonza. O jeito vai ser ficar fora das comunidades do Orkut e ameaçar a vida e o bem estar da família de todos os meus amigos que ousarem querer me contar alguma coisa. E, claro, esperar minha cópia.

Isso, se a Cultura enviar para o endereço correto, que eu já corrigi, que eu já mandei email avisando que havia corrigido e que eles poderiam, muito bem, me responder: "Sim, senhora Luana Ortencio, nós já corrigimos o endereço do seu pedido, obrigado por escolher a Cultura, contamos com a sua preferência". Mas, não, eles não dão sinal de vida.

Aiai, drama, drama, drama....

Manifesto do Global Voices

> Copiado e colado do site da GVO Português

Veja o manifesto em outros idiomas.

Nós acreditamos na liberdade de expressão: protegendo o direito de falar — e o direito de ouvir. Nós acreditamos no acesso universal as ferramentas de expressão.
Para esse fim, nós queremos que todo mundo que queira se expressar tenha os mecanismos adequados — e qualquer um que queira ouvir e entender essa mensagem, tenha os recursos para ouvi-la e compreendê-la.

Graças as novas ferramentas, as formas de expressão não precisam mais ser controladas pelos que possuem os mecanismos tradicionais de publicação e distribuição, ou pelo governo que pode restringir a reflexão e a comunicação. Agora, qualquer um pode experimentar o poder da imprensa. Todos podem contar suas histórias para o mundo.

Nos queremos construir ligações entre as culturas e línguas que dividem as pessoas, para que elas se entendam mais profundamente. Nós queremos trabalhar juntos e mais efetivamente, agindo de forma mais enérgica.

Nós acreditamos no poder da comunicação direta. O elo entre indivíduos de diferentes mundos é pessoal, político e poderoso. Nós acreditamos que o diálogo através das fronteiras é essencial para um futuro livre, justo, próspero e sustentável - para todos os cidadãos deste planeta.

Enquanto nós continuamos a trabalhar e a se expressar como indivíduos, nós também queremos identificar e promover nossos interesses e objetivos comuns. Nós nos comprometemos a respeitar, assistir, ensinar, aprender e a ouvir o próximo.

Nós somos o Global Voices (Vozes Globais)

Diários de uma Vida Congelada 1

Minha vida anda sendo um contínuo exercício de paciência. Exercício esse no qual tiro nota zero a dois em todos os meus deveres de casa. Tia D.P (Divina Providência) não me deu nenhuma estrelinha ainda. Ela pode ter me dado uma nota boa e um abraço no exercício "vai catar o que fazer enquanto isso", mas não anda sendo suficiente... Bem, pra variar, ninguém está me entendendo. Vamos começar de novo.

Minha vida anda sendo um contínuo exercício de paciência. Minha vida, a vida de recém formada que voltou para sua cidade natal e para a casa dos pais, não é bem uma vida. Ainda mais que a única amiga goiana que possuo, foi se divertir nas Minas Gerais. Ainda mais que estou na minha semana de férias. Ainda mais que não existe nem uma esperança de emprego pra sonhar, como existiu umas semanas atrás. Nem fazer planos eu estou podendo fazer.

Anyway, resolvi arranjar o que fazer, né? Vai dando experiência e ocupando a mente ociosa. Virei tradutora voluntária do Global Voices On Line em Português. O GVO é um site muito legal onde colaboradores do mundo inteiro compartilham informações e fazem um link entre todas as mídias de informação livre do mundo. A gigantesca blogosfera do mundo e todas as informações que você pode adquirir sobre culturas desde blogs pessoais até políticos. Já traduzi 3 textos, um falando dos blogs do Irã, outro do de Honduras e o último, de Bangladesh. Graças a eles já li sobre uma interessante tese sobre a sociedade do Irã, vi fotos dos espetaculares bosques nublados de Honduras e fiquei interassidíssima (mesmo!) pela situação política de Bangladesh, que tem duas líderes políticas presas por um regime militar com objetivos dúbios.

E, também, arranjei o que fazer. Por enquanto, estrou na média de uma tradução por dia, e pretendo continuar, já que, pra variar, vou ter muito tempo hoje. Os textos são interessantes, fáceis de traduzir e faz bem pro coração ser voluntária em uma causa nobre: disseminar informação por todo o mundo.

Dêem uma olhada aqui.

Terça-feira, Julho 17, 2007

Lia Wyler e seu despeito

"Os jovenzinhos que criam comunidades no Orkut para tudo, inclusive para insultar meu trabalho, ficam bravos com a minha tradução porque têm vergonha de admitir que gostam de um livro para crianças."

Essas são as mui inteligentes palavras de um dos maiores nomes em tradução do país. Lia Wyler. Ao invés de admitir que infantilizou a maioria das traduções que fez do livro da JK Rowling, por ser, em princípio, um livro voltado ao público infantil, Lia Wyler e seu despeito, resolveu pôr a culpa em seus críticos. Para ela, somos nós, jovens adultos, ou adolescentes em fase mais avançada, que temos um problema, que temos um defeito que não queremos encarar: Gostamos tanto, meu Deus, de um livro para crianças.

Agora, será que ela pensaria a mesma coisa daqueles que não têm essas mágoas, essas "podridões" a encarar? Será que ela receberia as minhas críticas? Sim, as minhas. Eu não estou nem um pouco preocupada se o livro é infantil ou não. Desde criança eu leio qualquer livro que me interesse, eu tendo a profundidade emocional e intelectual para entendê-lo. Livros infantis, agora que sou adulta, obviamente caem no meu entendimento. Talvez eu até analise mais profundamente e veja coisas que, quando criança, não veria.

Mas, antes de tudo, o que eu sempre soube é que crianças não são estúpidas. Algumas podem até ser, a maioria, por não terem acesso a cultura de verdade. Eu quando criança lia Charles Dickens, um homem que escrevia sobre crianças, para adultos. David Copperfield era meu namoradinho, a pessoa absurdamente real e ao mesmo tempo com a cabeça absurdamente no mundo dos dramas, que eu queria conhecer e casar. Simplesmente porque quando criança, era sensível até demais e tinha o mesmo nível de drama que Master Davy, e, como toda criança dramática, achava que estava só nesse mundo.

Hoje empresto minha paixão à minha personagem que, como eu, não se importa muito se o livro é de adulto ou de criança, contanto que seja bom. Meu sonho é escrever um livro infantil com as ilustrações fofas da minha irmã. Aqueles livros de capa dura, com ilustrações mágicas que enchiam seus olhos quando você lia, lembra?

Então, queridíssima Lia Wyler, eu não me importo em ler livros infantis, na verdade, não me importo nem em amá-los de paixão. Pelo que li, e eu li demais, sobre a nossa estimadíssima e milionaríssima J.K Rowling, ela também não estava se importando muito com isso. Pensou em uma história sobre um bruxinho e foi construindo a história ao longo dos anos. Aconteceu que foi classificado como infantil. Não era pra menos, afinal, retratava maravilhosamente bem a visão de uma criança de dez anos. J.K não se importou. Disse ter ficado um pouco apreensiva porque via crianças muito pequenas, mais novas que o próprio Harry, lendo sobre as guerras e crueldades que o inimigo do bruxinho -Voldemort - e seus capangas faziam.

Mas, J.K Rowling também não acredita que as crianças sejam burras. J.K Rowling não "inglesou" os nomes dos personagens que vinham de outra cultura. Rowling inventou desde nomes totalmente bobos (quando cabia) principalmente os dos doces e "travessuras" que aparecem nas lojas de Hogsmead e nos bolsos dos gêmeos Weasley até nomes altamente bem estruturados, com misturas de línguas diferentes, de mitologia e outras coisinhas culturais. Até trivialidades bobas como um detalhe no livro Fantastic Creatures and Where to Find Them - um livreto que ela lançou para a Comic Reliefs em uma das muitas caridades que se dispôs a fazer depois que recebeu a responsabilidade de ser extremamente rica e figura pública transformada em exemplo para crianças - em que comenta sobre um bruxo que tentou domar um cavalo alado dos mais bravos e acabou caindo dele. O tal do Belerofonte. Mitologia Grega.

J.K Rowling levou seu bruxinho a idade adolescente e com ele muitos dos seus fãs. E ela retrata tão bem os sentimentos de adolescente que, agora, os adolescentes não se preocupam mais se seu livro favorito é infantil. Na verdade, Harry Potter agora é considerado infanto-juvenil. Digamos que Harry Potter seguisse até os 30 anos do bruxo, talvez a lista do NY Times o colocasse em livros para adultos e talvez os críticos começassem a dizer que é um livro quase filosófico.

Não exageremos, né?

Eu acho isso tudo bobagem. O que eu acho grave é uma tradutora, com a cabeça pequena e bem esquecida, achando que toda criança é idiota, imbecilizar um monte de coisas do livro através da sua gloriosa tradução. Quando ganhei Harry Potter - do meu pai que sabia do hype e da minha idolatria a livros sobre mitologia, magia e cultura inglesa e irlandesa - li alguns capítulos e larguei pra lá. Era obviamente um livro bobo de criança. Mas, quando o boom potteriano foi aumentando e a warner foi fazer um filme, minha curiosidade e minha lei suprema do ler antes de ver, prevaleceu e lá fui eu voltar à minha cópia do tal Harry Potter. Li até o final, achei interessantíssimo, como um livro infantil. Fui lendo os outros e, como minha fome literária não encontra limites, sai baixando os originais na internet. O mesmo aconteceu com a minha mãe, que não tinha interesse nenhum nos livros, até ler um original.

Outro mundo, não é mesmo? Adeus palavras imbecis, adeus nomes aportuguesados em uma sociedade inglesa. Adeus Lia Wyler, here comes the real JK. Apaixonei. Amo. Idolatro. Venero. Minha mãe, por sinal, aceitou dividir comigo o sétimo, e já pedimos, antes de lançar. O livro bem escrito (embora com algumas falhas devido à pressão, como aquele capítulo infeliz do Grope), não por Lia Wyler, mas por J.K Rowling.

J.K Rowling, meu role model, eu que não tenho pretensões de ser escritora que só atinge alguns poucos metidos a intelectuais que acham que só eles têm profundidade suficiente para entender os "segredos da vida", eu que gosto de livros para qualquer idade e qualquer público contanto que sejam bons. Como não amar alguém que fez crianças crescerem investigando mitologias e histórias de santos para adivinhar o que acontece nos próximos livros? Leiam alguns ensaios da mugglenet e vejam a que nível chega algumas análises literárias daquelas crianças e adolescente (e muita gente da minha idade ou mais velhos, sim). Uma profundidade que minhas colegas das disciplinas de letras que fiz seriam incapazes de acompanhar.

Aí, eu lembro que algumas daquelas pessoas ignorantes que faziam disciplinas de letras, viram tradutoras, viram Lia Wyler, e acham que sabem alguma coisa. Tiram da cabeça que crianças não vão entender se o nome for em inglês, mas que elas vão achar muito bom pessoas inglesas chamadas Tiago. Tiram toda a complexidade de um monte de coisa, não infantiliza, mas imbeciliza as palavras e o texto. E depois vem colocar o despeito em nós, leitores críticos. Talvez ganhe algum reconhecimento daquele bando de gente que fala mal de Harry Potter sem nunca ter lido. Talvez porque essas pessoas devam agradecer a ela achar que o bruxinho é bobo, infantil e imbecil, principalmente porque o mais porco dos trabalhos dela, foi aquele que ela teve mais tempo pra traduzir e aquele que os críticos ignorantes de Harry Potter não gostaram ao ler um capítulo.

Nada contra quem não quer entrar no universo potteriano. Nada contra quem não gosta. Nada contra tradutores que cometem um erro e agora têm que continuar com esse erro. Tudo contra pessoas que julgam o que não conhecem e ainda se acham melhores que os outros por isso, tudo contra quem não gosta sem nem ler, tudo contra pessoas que cometem um erro e não admitem e jogam em cima dos seus críticos o despeito tremendo que guardam.

Mas, não se preocupem crianças, quando eu fizer meu livro infantil, não vou julgar que vocês são estúpidos e não vou deixar que ninguém transforme significados como Marauder em Maroto. Pelo menos nos meus livros não.

Sexta-feira, Julho 13, 2007

Revelações de um dia de ressaca

Imenso pint de guinness, marrom, cheio de espuma que baixa suavemente enquanto eu, apaixonada, a observo. O bartender tenta se desculpar pela demora da cerveja, eu o aviso que já estou acostumada com todo aquele ritual de beleza, encosto minha cabeça no balcão e, com o coração cheio, suspiro.

Vale o dinheiro que for. Momento sublime de beleza e deleite. E o melhor, o povo acha ruim e amargo (infiéis) e não fica se intrometendo no meu relacionamento.

Luana Selva e Guinness, uma linda história de amor...

Resoluções de um dia de ressaca

1)Saber a hora de parar de beber
2)Saber a hora de parar de gastar
3)Economizar dinheiro
4)Me divertir fazendo as coisas que eu gosto e não só bebendo
5)Comprar um demaquilante para olhos em creme
6)Parar de: ser ser humano super mau humorado porque os planos não deram certo durante a semana e liberar toda a frustração numa única noite regada a Heinneken (Heinneken!!=D)

Resolução número 5 sendo a mais crucial de todas...

Quinta-feira, Julho 05, 2007

Estética Monetária 01

Já perceberam que quanto mais pobre o país mais firulento é o dinheiro dele? Pensem nisso. É um princípio básico do Design. Eu acho.



Europa

Brasil


Haiti


Quarta-feira, Junho 27, 2007

Imaginários.net

Atenção, atenção! Como primeiro passo da minha resolução de voltar a investir no nosso fabuloso grupo, os Imaginários, estou mudando de endereço, agora tenho endereço próprio na Imaginários.net! Agora o Casa mora no www.imaginarios.net/casadeespeto e todo mundo que acessar o antigo endereço será redirecionado pra cá. E vamos encher meu novo endereço virtual de amor e arte nessa casa imaginante (l)

Que discurso mais sem estrutura, quanto erros de português. Vou deixar assim que é pra ficar bastante ilustrativo...

Delírios de Enxaqueca

De repente minha saúde começou a descer ladeira abaixo, se machucando muito no percusso e em direção a um local super conhecido e não muito agradável. Não sei se minha saúde começou a piorar porque meu inconsciente, a quem prometi dar atenção (podendo ou não) este ano, começou a vomitar todas as coisas que ele quer que eu resolva, ou, se meu inconsciente começou a ficar assim porque minha saúde começou a piorar. A enxaqueca é o sintoma universal do meu corpo quando ele quer chamar minha atenção. Minha carência dos signos de terra no mapa e o fato de que eu sou do signo oposto-complementar aos taurinos faz de mim uma pessoa que, ao contrário dos últimos, consegue muito bem abstrair dos desconfortos do corpo.

Meus sapatos são comprados com a prioridade beleza bem à frente da qualidade conforto. Meu tênis adiddas que calço no momento é o único dos meus tênis 37 (calço 37/38, então, tênis é só 38 em nome do conforto) pelo simples fato de que eu o queria e se deixasse pra depois talvez não o ganhasse. Sou capaz de ler com dor de cabeça, ficar muito tempo em posição não confortável e aparecem hematomas no meu corpo que eu simplesmente não sei de onde vieram porque eu costumo ignorar certas dores e desconfortos. É chato ir ao salão de manhã depilar porque às vezes a cera está muito quente e eu estou muito ocupada revolucionando Plutão pra avisar a esteticista.

Com enxaqueca, o buraco é mais embaixo, ou melhor, em cima, não, o buraco é em todos os lugares. Enxaqueca, pra mim, é um estado de espírito, principalmente porque seus sintomas às vezes mudam, e eu tenho que dar níveis a elas. A enxaqueca causada por alguns desequilíbrios corpóreos básicos (muito sol na cabeça + péssima noite de sono) é a que me rende um estado de consciência particularmente interessante. Meu humor não fica ruim, ele sai pra passear. Meu ritmo é lento e minhas sensações são como ouvir alguém gritando quando se está numa sala de vidro grosso. Meio difíceis de entender. Na maioria das vezes, minhas necessidades se confundem e eu sinto fome, quando na verdade estou com sono, sede, ou vontade de ir ao banheiro. Parar e fazer uma pesquisa comigo mesma às vezes dá certo. Muitas vezes eu saio experimentando saciar algumas necessidades pra ver qual realmente necessitava ser saciada.

Parecido com quando meu fígado se afoga no álcool e eu tenho que cheirar comida pra perceber quando que eu deixei de passar mal por causa do álcool pra passar mal de fome. Acho que eu não tenho muita sintonia com meu corpo.

Sonhos já me deram enxaqueca. Pelo simples fato de que eles me deram depressão, mal humor, vontade de mudar pra outra dimensão. É o alerta geral do meu corpo, que também não sabe conversar muito bem comigo.

Já meu inconsciente não sabe conversar com nenhuma das partes. Sendo todo inconsciente alógico, ele fica sendo aquele irmão doido da família que interfere na vida de todo mundo, faz merda, causa revolução e é difícil entender o por quê. Inconscientes são como emos. Você pede pra ele fazer café, por favor, e eles começam a chorar e vão se trancar no quarto, criaturas incompreendidas. Emos ou deprimidos, ou mulheres com tpm, mas estas são bem mais perigosas.

Também pode ser igual àquelas namoradas que, de repente, desenterram uma mágoa de dois mil anos, que não tem mais sentido, hoje em dia, que não se tem mais como resolver. E você fica lá, pensando... "De onde que isso veio, mesmo?". Odeio admitir, mas já fiz isso com alguém. Naquela época eu era um id ambulante, ou seja uma imensa estrutura alógica inventada por um austríaco cocainômaco.

Como que dá certo, não é mesmo?

Bem. O superego super desenvolvido que sempre tive foi recuperado e até foi negociada uma relação mais liberal. Digamos que meu superego e eu estamos em um relacionamento aberto e flexível, com muito espaço pra discutir a relação. Algumas regras são rígidas. Citando um exemplo: se a tequila entra, o superego sai, o ego vai pular nas alturas (e talvez se perder) e o id vai ter a hell of a night. Meu ego também anda se achando. E tendo todo cuidado de curar das feridas dele sem inflar. E continuando se achando. Conseguiu umas coisas que sempre quis e acha que pode partir atrás de todas.

Ruge toda noite e toda manhã que é pra ficar aquecido.

Então, não sei mais funcionar daquela forma id, principalmente porque quando meu id é liberado, minha memória se perde, ficando apenas uns fragmentos. Sem memória não se tem aprendizado. Não sei o que fazer com meu inconsciente e nem com a minha enxaqueca. Não sei se estou irritada porque meus pés doem, porque eu quero definir minha vida, porque eu estou com sono ou porque só eu acho que eu engordei. Não sei se é tpm. Não sei se leva a sério as associações livres e totalmente sádicas e inconvenientes do meu inconsciente.

E isso porque sou bacharel em psicologia... Mas na UnB ninguém nunca me falou muito de Jung... Minha enxaqueca também faz meu cérebro funcionar com falhas. Não sei mais porque comecei esse post...

Terça-feira, Junho 26, 2007

(L)

Não existe coisa mais saborosa nesse mundo do que receber livro pelo correio. Receber coisas pelo correio. Imagina, você está feliz e contente indo para o trabalho e seu porteiro lhe entrega um pacotinho pardo, todo lacrado, e lá dentro tem um livro: Mercado Cultural de Leonardo Brant. Aquele que você esperava para além de sexta feira, que custou só dezoito reais com frete. Toda feliz você vai caminhando para o trabalho, com o pacotinho na mão, toda aquela preguiça se esvaiu porque agora você quer chegar em algum lugar que tenha tesoura, onde você pode abrir o pacotinho, sem estragar o livro. Quem se importa se você não mora em São Paulo ou no Rio aonde se aglomeram os melhores sebos do país? Eles têm convênio com o Estante Virtual e você não só pode comprar os livros, como eles virão pelo correio, chegarão na sua casa, empacotadinho em papel pardo.

Meu coração chega a inchar.

A primeira vez que tive essa benção foi quando pedi As Crônicas de Nárnia pela Siciliano Online já que lá em Natal, na época, não tinha nenhuma major bookstore . Um dia chegou um moço da Varig, com um pacote azul escuro, me pediu para assinar um papel e lá dentro havia plástico bolha e um livro L-I-N-D-O, grande, de capa dura, cheio de gravuras, com cheiro de livro novo. Meu coração, que na época era tão pequeninho, triste e deprimido, cresceu tanto, que eu achei que ia explodir. E explodiria feliz.

Meu maior sonho quando criança era que alguém batesse na minha porta e me entregasse um livro, qualquer um que valesse a pena ler, era uma espécie de sonho fantasioso idealizado delirante mór. Estar sem esperar nada na sua casa e, de repente, um livro, um mundo, uma história.

Agora eu posso fazer isso acontecer. E não só com livros... Viva a internet, os correios e um mínimo de independência econômica, nem que seja capenga, como a minha, que mal é classificada nos anais das independências.

(l)!

P.S: www.estantevirtual.com.br , a fonte dos prazeres (l)