Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

entre dentes...hortelã.


Carregando Saramago e Clarice, folhas ressecadas, carregando um gosto morno ainda de café. Entre paredes, café, numa mudez engraçada. Se as pessoas que a viam, sentada, feito um pacote inerte, se as pessoas sentissem o mesmo cheiro de chuva que chega. Talvez seria leve.
Sentou-se numa praça vazia, gostaria de dividir um trago, gostaria de ler uma carta decente que lhe tirasse qualquer bolor. Talvez uma sacanagem, e palavrões ditos aos berros. Sempre gostou de palavrões, acha que dependendo do tom, os palavrões podem ser muito deleitosos. Dizer boceta em sussurros numa praça velha e amarela....se alguém a lesse como queria. Hoje estaria leve e de saia quem sabe.
Cachorro magro passeando torto pela rua, esse vazio de tardes às segundas é meio trêmulo. Porque ficava tão densa em momentos patéticos...se sentia traída. Era como se traísse nessa fuga de evaporar os males sozinha em minúsculos rituais bem bordados, solitários e em lugares assim, insólitos. Brasília é patética, e fica difícil achar uma fodinha casual as 15:37 da tarde. mesmo de saia.
Seguiu pra casa em soluços, segurava entre os dentes uma folha miúda de hortelã, refrescaria sua vida mergulhada entre lambidas e vodka gelada. Barata, porque vivia barato, embaralhada sem sentidos, meio confusa e querendo aguda. Por agora, sozinha mesmo.

1 Comentários:

Blogger João Neto disse...

A foto foi a inspiração...

Vê lá
Sim, bem lá ao longe
Um monte? Não?
O que, então?
Corpo
Desejo
Sugestão de tesão
Fonte
Alimento
Coração batendo forte
Eu quero
Pena, esteve aqui tão perto
Agora
Só foto, sonho, ilusão.

7:49 PM  

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